quinta-feira, 3 de novembro de 2011

arroz feijão

ninguém, nem eu, quer a rotina cotidiana da vida real, a não ser os ensimesmados presos à ilusão do "é isso aí".acordar cedo, vomitar o tédio como um operário, como uma dançarina, como um músico cheio de entorpecentes no sangue.Ah, o glamour. O "ser alguém". Ouvir uma canção pra acalentar a dor de ser/estar eternamente por pelos menos 60 anos (a expectativa de vida está cada vez maior - ninguém morre mais!).
Fazer a janta: picar o alho, a cebola, ferver a água...mais náusea. Carregar um mundo todo dentro de si e então parir...
eu costumava ser uma jovem mulher libidinosa, cheia de tristeza e tristeza, sonhos presos num espelho sem imagem. eu costumava pintar a boca e as unhas de vermelho. eu costumava escrever. amanhã: acordar cedo, vomitar o vazio na privada branca. eu costumava escrever nas paredes meu desespero. No entanto, agora, acabou o giz? sinto as células se dividindo. meiose, mitose: mito de mim contado por um surdo-mudo sem as tripas pra ninguém ouvir.

0 comentários: