terça-feira, 6 de dezembro de 2011

um jeito nisso

eu sai me esgueirando pelos cantos escuros para que ninguém me visse choramingar. Eu me arrastei pela lama até aqui, o esgoto que escorria pelas sarjetas respingou em minha roupa enquanto os carros passavam à toda velocidade. Eu escondi meu rosto atrás de minhas mãos em posição de prece...eu desejei ser outra, eu desejei a morte dos que me deram a vida. Blasfemei contra as verdades, duvidei da felicidade estampada nos rostos sorridentes das fotografias que não se imprimem mais...por inveja. Em verdade sei que eu os odiava e os invejava ao mesmo tempo num paradoxo dolorosamente meu. Sim, eu refleti, lembrei-me daqueles que estão por fora de tudo, assim como eu. Pensei em sua dor ignorada...senti algum alívio n'alma, contudo, pouco durou tal refrigério. Eu quis dançar nua encorporada naquilo que de mais profundo e sagrado há nesse meu ser prosaico...sim, eu quis a intensidade do perigo das longas viagens, a liberdade da solidão desbravadora de mundos, eu quis...eu quis...olhar nos olhos do meu próximo e ter a coragem de dizer a verdade, arreganhar-me aos passantes, despetalar-me os cabelos na fúria de quem ama a vida mais do que a própria dor...com considerável frequência tenho sonhado um mesmo sonho, no qual tento atravessar um córrego sujo e raso, onde escorre uma água cor de chumbo e balança uma pontezinha de madeira...até então não alcancei o outro lado, separado de mim pelo meu nojo de molhar meus pés naquela água lodosa...

0 comentários: